Aloysio Nonô

Edição: Phablo Monteiro - Fonte: Câmara Federal  Homenagem

 

"Boa gente, Aloysio Ubaldo da Silva Nonô, cabeça chata sorridente. A marca registrada era a gravata borboleta, de preferência com terno claro. Só ele usava. Você via uma gravatinha borboleta flutuando lá longe na penumbra da Câmara e podia escrever "lá vem o Nonô". Aloysio Nonô gostava de pedir aparte quando eu engrossava em nome da oposição. Naquele tempo não havia televisão, só "Voz do Brasil" no rádio e aparte era irradiado junto com o discurso. Mostrava serviço. Aparte do Nonô saía sempre bem educado mas sempre aparte contra, era fiel defensor do governo militar. Ou melhor, era defensor de governo, ponto. Criador de gado e político tradicional de estado pobre, Aloysio Nonô vivia dos favores do governo federal. Começou a carreira política ainda nos tempos do Getúlio como gerente do Banco do Brasil em Palmeiras dos Índios e nunca mais parou. Quando entrei na Câmara ele já estava no terceiro mandato, sempre mexendo com Polígono das Secas, Bacia do São Francisco e Orçamento. Sempre ativo. Político profissional, nasceu para isso." Depoimento de David Lerer, Ex-Deputado Federal.

Aloysio Ubaldo da Silva Nonô, atalaiense, nascido no dia 16 de Maio de 1920. Filho do Sr. José Thomaz da Silva Nonô e da Sra. Francisca Alice de Albuquerque e Silva. Casou com a Sra. Eunice Malta Alta da Silva Nonô. É pai do Ex-Deputado Federal e atual Vice-Governado do Estado de Alagoas, José Thomaz Nonô.

Aloysio Nonô foi eleito Deputado Federal por diversas legislaturas, sendo considerado uma das maiores lideranças políticas do passado Alagoano. Foi por três vezes Deputado Federal, na legislatura de 1959 a 1963, tendo a posse ocorrida no dia 02 de fevereiro de 1959, na legislatura de 1963 a 1967, tendo a posse ocorrida no dia 02 de Fevereiro de 1963 e na legislatura de 1967 a 1971, tendo a posse ocorrida no dia 02 de Fevereiro de 1967. O Ex-Deputado foi um dos fundadores do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que foi um partido político brasileiro que abrigou os opositores do Regime Militar. Fez parte do MDB de 1963 a 1968, tendo neste ano mudado para o ARENA. Foi parlamentar de destaque no Congresso Nacional e entre suas atividades fez parte de Comissões Mistas: Mensagem 355/67, que submete ao CN o texto do DL 322/67, que estabelece limitações ao reajustamento de aluguéis e dá outras providências: Membro, 1967 Mensagem 14/67, que encaminha o PL 14/67, que dispõe sobre o efetivo do Corpo de Oficiais da Ativa da Força Aérea Brasileira em tempo de paz: Membro, 1967PL 17/68, que reajusta os aluguéis de imóveis locados para fins residenciais depois da vigência da Lei nº 4494/64: Membro, 1968PL 34/68, que restabelece para as categorias profissionais que menciona o direito à aposentadoria especial de que trata o art. 31 da Lei 3807/60, nas condições anteriores: Membro, 1968. Na Câmara dos Deputados, participou de Comissões Permanentes e Especiais.

Perseguido pelo Regime Militar, teve seu mandato de Deputado Federal casado e seus direitos políticos suspensos por dez anos, na legislatura 1967 – 1971, em face do disposto no Art. 4 do Ato Institucional Nº 5, de 13 de dezembro de 1968.

Estudou no Colégio Diocesano e no Liceu Alagoano. Exerceu as profissões de bancário e criador. Em 1951 foi Gerente da Agência do Banco do Brasil em Palmeiras dos Índios. Em 1954, foi chefe da Divisão do Pessoal e substituto do Diretor de Administração, IAPETEC. Em 1956 foi Secretário de Estado de Negócios do Governo de Alagoas. Em 1957 foi Secretário do Diretor Souza Neves, da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil S.A. Em 1958 foi Inspetor da 8ª Região Geoeconômica da CREAI, do Banco do Brasil. O Ex-Deputado atalaiense também foi membro do Grupo Brasileiro da Associação Interparlamentar de Turismo, membro da União Interparlamentar e membro da Associação Atlética do Banco do Brasil.
 

Como Deputado Federal, Aloysio Nonô, nunca esqueceu Atalaia, tendo em diversos de seus pronunciamentos na Tribuna da Câmara dos Deputados, como veremos a seguir, feito referências a cidade que costumava chamar de “minha cidade de Atalaia”, “minha terra natal”.

DIÁRIO DO CONGRESSO NACIONAL – Maio de 1968

Sr. Aloysio Nonô

“Sr. Presidente, Srs. Deputados, não tenho mais conta das inúmeras vezes que, da tribuna, no Palácio Tiradentes e aqui, tenho trazido o maior anseio dos alagoanos da cidade de Atalaia, minha terra natal.

Trata-se, Sr. Presidente, do que lá ocorre com relação à antiga BR-26 e a minha cidade de Atalaia. Como sabe V. Exa., a BR, de certa maneira, fogem aos centros urbanos. Entretanto, em Alagoas, a BR-26 corta o município de Atalaia, depois da ponte sobre o Rio Paraíba. Desde a construção da BR-26, está para ergue-se um viaduto sobre uma das principais artérias daquela comuna. São passados mais de 15 anos. Não era eu ainda representante do povo alagoano no Congresso Nacional, quando pleiteava essas medidas. No entanto, nenhuma providência foi tomada.

Tenho, daqui, feito os maiores apelos a todos os Ministros de Viação e, atualmente, ao Ministro dos Transportes, para que se faça, na cidade de Atalaia, na BR-26, o viaduto que ali é devido. Este ano, agora em maio, ali se verificou o 62º desastre rodoviário, sendo que, dessa feita, virou um caminhão e muitas mortes ocorreram naquela oportunidade.

Deixo aqui o meu apelo ao atual Ministro, para que, ao menos como uma satisfação ao meu Estado mande fazer um estudo para que se possa construir o viaduto na antiga BR-26 naquela localidade do meu Estado.”

DIÁRIO DO CONGRESSO NACIONAL – Fevereiro de 1968

Sr. Aloysio Nonô

“Sr. Presidente, Srs. Deputados, ocorreu no dia primeiro deste mês mais um aniversário da fundação da minha cidade de Atalaia no Estado de Alagoas, exatamente 204 ano da criação da Vila, no dia 1º de Fevereiro de 1764.

Foi um dia de grande alegria para os meus caros conterrâneos, especialmente porque o Prefeito José Lopes Duarte, pela terceira vez à frente da Prefeitura Municipal de nossa querida Terra, comemorando o segundo ano do seu atual mandato, fez entrega a povo de inúmeras e excelentes realizações, dando-lhes o nome de pessoas ligadas a vida de Atalaia.

Com a presença do Governador Lamenha Filho, de Deputados Federais, de Secretários de Estado, de Desembargadores do Tribunal de Justiça, de Juízes de Direito, de Prefeitos Municipais, de outras autoridades, e de grande multidão, foram inauguradas as Escolas Rurais “Sabino de Moraes” e “Ernesto Lopes”, o Parque de Recreação Infantil “Dona Maria Luiza”, o abastecimento d’água do Povoado Santo Antônio dos Milagres, a Estação Retransmissora de Televisão “Auta Salgado de Medeiros” e a Praça Bicentenário, com placa de bronze alusiva ao acontecimento e um mapa do município. Foi ainda lançada a pedra fundamental da Biblioteca Municipal “Dona Rosa Nunes”, e a da Praça Aloysio Nonô.

Mas, o ponto alto das comemorações foi a execução do Hino e hasteamento do Pavilhão do Município, pela primeira vez. Tanto a composição com a bandeira foram criados através de Decreto do Executivo Municipal, realizando-se disputado concurso para as melhores sugestões.

Pronunciei, Sr. Presidente, o seguinte discurso:

Na data em que Atalaia completa o seu ducentésimo aniversário de fundação, escolhida pelo seu Prefeito, este dinâmico Zeca Lopes, para prestação de contas de seu segundo ano de mandato, não poderia eu, filho da Terra e colaborador dedicado de tantas realizações, deixar de trazer ao povo do meu município, uma palavra congratulatória.

São muito mais de duzentos e quatro anos decorrido desde aquele dia em que Domingos Jorge Velho, o audaz bandeirante, aqui chegou com o seu terço de tropas, acampando no morro, que é hoje a Rua 5 de Março, para traçar os planos de combate ao Quilombo dos Palmares, cuja destruição era o objetivo primordial da expedição. Fortemente armados para enfrentar os negros, cujo líder era um homem de gênio, um escravo que para essa condição não nascerá, o admirável Zumbi. Jorge Velho contava além de equipagem de soldado, com a proteção da Virgem Maria, invocada como Nossa Senhora das Brotas, cuja imagem acompanhava a Bandeira.

Zumbi organiza os companheiros fugidos como ele, da escravidão, vindos das fazendas de Pernambuco, da Bahia e da Paraíba, na pequena República que era o Quilombo dos Palmares, hoje um símbolo histórico dos anseios de liberdade dos povos.

Sucessivas expedições armadas pelo Governo e pelos “Senhores” contrariados, tinham fracassado no seu intento de desalojá-los da posição e dizimá-los ou recuperá-los para o trabalho escravo.

Mas, Domingos Jorge Velho era um estrategista que, além da fibra indômita características dos homens da Bandeira, trazia uma feroz expedição de combate. Não destruirá ele, após convidá-los para uma festa de despedidas, os índios de uma aguerrida tribo dos Acroazes, no Cariri, que haviam recusado seu convite para acompanhá-lo na expedição contra os Palmares? Os negros certamente não se deixariam pilhar tão facilmente, mas haveriam de ser subjugados pela astúcia e pela força. Domingos Jorge Velho fez aqui o seu papel e dirigiu-se para a Serra da Barriga, através de santa Efigênia. Foi repelido por várias vezes, mas uma última investida resultou na destruição total do Quilombo, a Cidadela Negra. No acampamento chamado Arraial dos Palmares, já fora levantada a igrejinha que abrigava a formosa imagem da Virgem, e em volta desta começou a surgir a Vila de Brotas, depois chamada Vila de Bragança e, finalmente, Atalaia.

O povoamento da região que constitui hoje o nosso município foi assim iniciado por homens que tinham como apanágio a bravura, a coragem pessoal, a audácia sem limites, a vontade obstinada da vitória. Essas virtudes ainda encontramos nas gerações de hoje, e o Prefeito José Lopes Duarte é bem dela um exemplo, quando oferece em apenas dois anos de gestão à frente de uma prefeitura que encontrou desorganizada e carente de recursos financeiros, uma tal opulência de realizações onde bem se retrata, ainda, o homem de visão larga, voltada para o futuro: não são apenas obras de fachada, coisas para ver hoje, para impressionar os simples, mas serviços da importância dos que foram realizados no terreno da saúde e da educação, cujos efeitos se projetos para o porvir. Sinto-me muito feliz da colaboração que lhe presto. Colaboração animada pelo amor que sempre devotei as coisas da minha terra, cujos interesses sei hoje conduzidos com igual amor por mão experiente e segura. Como Deputado Federal, representante do povo alagoano e em particular, como sempre faço questão de frisar, do povo de Atalaia, donde veio a parcela mais expressiva da votação que me levou ao Congresso Nacional na minha passagem pelo legislativo, também devo fazer pequena prestação de contas que testemunhe minha gratidão aos seus comunícipes.

Concentrei meus esforços em combinação com o vosso prefeito, na construção e manutenção do Hospital Infantil e Maternidade Darcy Vargas, entidade à qual destinei cinqüenta por cento da minha cota de subversões além de conseguir-lhe a doação de uma ambulância através do Ministério da Saúde. Estive atento, não obstante esse carinho especial para com o Hospital às demais realizações da Prefeitura, prestando concurso em todas as realizações em que foi necessário manter contato com os organismos federais. Na SUDEN0E, para ampliação do serviço d’água. No Ministério da Educação e Cultura, para a construção de escolas rurais.

Graças a empenho meu junto ao Ministro de Minas e Energia, o Deputado Federal Costa Cavalcanti, foi em poucos dias autorizada a liberação dos recursos para a eletrificação de área extensa de nosso município, abrangendo a Vila de Sapucaia e o Povoado de Branca de Atalaia, na conformidade do convênio que tive a honra de assinar em Brasília, como procurado do vosso Prefeito no ultimo semestre do ano passado.

Bato-me presentemente pela instalação de uma Agência do Banco do Brasil em nossa cidade, já tendo mantido a respeito contato pessoal com o Presidente Nestor Jost, que lhe fiz entrega do memorial assinado pelas figuras mais representativas de todas as classes do município.

Ainda no setor da educação tenho mantido a mesma dedicação dos meus primeiros anos como Deputado Federal, destinando verbas específicas ao Ginásio Nossa Senhora das Brotas, para auxiliar o programa de trabalho tão bem cumprido pro essa admirável figura de educadora, que é a sua diretora, dona Suzana Craveiro Costa de Medeiros.

Fora do plano da administração pública tenho ajudado a obra social da Paróquia, em particular o Apostolado Leigo Voluntário, que funciona sob a orientação zelosa do Padre Abelardo Romeiro Pereira, com verbas que foram pagas em data recente.

Também recebeu minha ajuda a Cooperativa Agropecuária e de Plantadores de Cana de Atalaia, através de gestões feitas junto ao Banco do Brasil para financiamento da compra de caminhões a associados seus e junto ao Instituto do Açúcar e do Álcool para reconhecimento de sua nova razão social e conseqüente habilitação a outras modalidades de assistência financeira.

É trabalho que venho desempenhando com carinho, que continuarei a desenvolver com empenho em favor da minha gente e da minha terra.
(...)

Senhor Presidente, Senhores Deputados. Desejo mais uma vez e agora da Tribuna da Câmara dos Deputados, congratular-me com o povo do meu município de Atalaia, na pessoa do seu grande e incansável Prefeito José Lopes Duarte, pelo muito do que ali foi realizado em tão curto espaço de tempo e pelo muito do que se há de realizar em beneficio da terra atalaiense.”

No dia 07 de Julho de 2003, com 83 anos de idade, faleceu o atalaiense Aloysio Nonô, político de destaque em nosso Estado.



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