Abrahão Fidelis de Moura

Edição: Phablo Monteiro - Fonte: Câmara Federal e ABC das Alagoas  Homenagem

 

Abrahão Fidélis de Moura, nasceu na Fazenda Porongaba, Atalaia, no dia 09 de Outubro de 1916. Político, proprietário rural e comerciante. Filho de Lúcio Fidélis de Moura e de Josefa Cerqueira de Moura. Vindo de uma das mais tradicionais famílias da região (Fidélis de Moura), exerceu grande influência política na região, contribuindo, inclusive, para emancipação política de Pindoba, quando esta era povoado de Viçosa.

Foi vereador de Atalaia pelo PSD, entre 1947 e 1951, Deputado Estadual por Alagoas, entre 1951 e 1955, e Deputado Federal por Alagoas por duas legislaturas, entre 1959-63 e 1963-66, pelo PSP. Em 1960 ficou em segundo lugar na disputa pelo cargo de Governador de Alagoas, também pelo PSP. Foi candidato de uma frente mais progressista, do pondo de vista da esquerda, tendo como candidato a vice Beroaldo Maia Gomes Rego.  

Chegou a ser o candidato mais votado no interior, perdendo a eleição de 1960 para o general Luiz de Sousa Cavalcante, o popular “Major Luiz” por apenas 1702 votos. Abrahão teve 37.213, contra 38.915 do Major Luiz.

O mandato de Deputado Federal de Abrahão Moura foi cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos, na legislatura 1963-1966, em face do disposto no art. 15 do Ato Institucional Número Dois, de 27 de outubro de 1965, expedido pelo Decreto de 13 de outubro de 1966, durante o Regime Militar. Passa a dedicar-se às atividades empresarias, na área agrícola. Com a reconquista de seus direitos políticos, foi ainda secretário de Finanças de Maceió em 1982.

Defendeu em setembro de 1957 o governador Sebastião Marinho Muniz Falcão do impeachment pretendido pela oposição, participando em 1957, da que ficou conhecido como A Sexta-Feira 13 que abalou Alagoas, segundo texto do jornalista Fabio Costa.

Em 1957, votação do impeachment do governador Muniz Falcão transformou a Assembleia em praça de guerra

No início da tarde do dia 13 de setembro de 1957, uma sexta-feira, um grupo de deputados chegou ao prédio da Assembleia Legislativa de Alagoas com uma peça de vestuário muito pouco adequada ao clima da cidade nessa época do ano. Num calor de 38º, os parlamentares estavam usando pesadas capas de chuva, sob as quais tentavam ocultar metralhadoras. Mal entraram no plenário, sem dizer uma palavra, abriram fogo a esmo, provocando a reação de deputados que já estavam entrincheirados no local. O intenso tiroteio durou cerca de 40 minutos e deixou um deputado morto e várias pessoas feridas, entre elas um jornalista carioca e um servidor da casa. O motivo do bangue-bangue: a votação do pedido de impeachment do governador Sebastião Marinho Muniz Falcão.

Dos 35 deputados estaduais, 22 estavam contra o governador. No dia da votação do impeachment, o próprio Muniz Falcão teria pedido que sua bancada não comparecesse à sessão, entretanto, o deputado Humberto Mendes (PTN), seu sogro e líder do governo, discordava dessa posição.

Segundo relato de jornais da época, Mendes e os deputados Claudionor Lima e Abrahão Fidelis de Moura decidiram ir à Assembleia dispostos a “matar ou morrer” e não atenderem nem mesmo aos apelos do arcebispo de Maceió, D. Adelmo Machado, para que fosse desarmados. Portando metralhadoras, os três rumaram para a Praça D. Pedro II e, agitados, condenavam os golpistas, sob aplausos da multidão que se aglomerava no local em apoio ao governador.

Abraão teve participação decisiva, ao lado de Lourival Freire da Costa e Antenor Claudino para o processo de emancipação política de Pindoba em 1957. E participou também movimento para devolver a autonomia administrativa a Cajueiro, que com o apoio dos  deputados Oséas Cardoso e Abraão Fidélis de Moura, o movimento terminou vitorioso, com o desmembramento definitivo de Cajueiro em 1958, através da lei nº 2096, assinada pelo governador Muniz Falcão. A instalação da primeira prefeitura foi em 1º de fevereiro de 1959.

É avô de Abrahão Moura Neto, atual prefeito de Paripueira.

Abraão Fidélis de Moura faleceu no dia 11 de Julho de 1993 na cidade de Maceió.

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