Míriam Ferreira Tenório Lucena

Edição: Phablo Monteiro - Fonte: Blog Verso Reverso, Facebook de Claudia Tenório Lucena Maranhão  Homenagem

 

Míriam Ferreira Tenório Lucena nasceu na casa grande da Usina Ouricuri, em Atalaia – AL, em janeiro de 1933, onde foi menina traquina que vivia correndo pelas campinas, caçando, pescando nos rios e açudes em companhia dos irmãos, vendo o nascer e o pôr-do-sol, admirando as estrelas e a luminosidade da lua.

Filha do Sr. Nestor Tenório de Oliveira e da Sra. Rosa Maria Ferreira. Seu pai foi o vereador que por mais anos ocupou a cadeira da Presidência da Câmara, 13 anos.

Aos 34 anos descobriu o seu lado poético ao escrever o poema "Ser Velho", ao ser desafiada por um tio. Viúva, quatro filhos e nove netos, em 2007 lançou “O Pôr-do-Sol", seu primeiro livro de poemas, pela Editora Catavento (Maceió-AL). No final do livro ela homenageou o falecido marido Wilson Lucena Maranhão, transcrevendo alguns dos seus poemas.

Míriam Tenório faleceu no ano de 2013.



Meu fiel companheiro
(20.05.2004)


 Tantos anos dormindo juntos,
 dividindo o mesmo leito,
 minha cabeça em teu colo repousando,
 macio e levemente perfumado.
 A ti contei os meus segredos,
 minhas ilusões e desilusões.
 A ti contei toda minha vida.
 Um dia eu te falei
de um grande amor do meu passado,
 um amor puro e inocente
entre jovens adolescentes,
 que alguém ou o destino
 resolveu para sempre separar,
 transformando nossas vidas
em linhas paralelas.
 Nesta noite chorei muito.
 Esta cena por muitos anos se repetia
 e tu, sempre solícito,
 enxugavas minhas lágrimas
 com sua leve e suave carícia.
 Hoje eu te pego nos braços,
 aperto-te contra meu peito
 e contrita eu te peço perdão
 por nunca ter compreendido
 que, durante toda minha existência,
 foste meu fiel companheiro,
 presente e sempre constante,
 nos momentos e aflições.
 Hoje volto a chorar novamente
e desta vez copiosamente.
 São para ti estas lágrimas,
 meu bom e fiel companheiro,
 meu adorado, meu querido, travesseiro.


 

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