Escritor e Poeta Tito Cavalcante de Alencar

Edição: Phablo Monteiro - Foto: Gazeta Web  Homenagem

 

Natural da cidade de Atalaia - Alagoas, Tito Cavalcante de Alencar nasceu no dia 24 de fevereiro de 1945. Filho do Sr. Estanlau Cavalcante de Medeiros e da Sra. Julita Malta de Cerqueira. Poeta e escritor têm quatro livros publicados, são eles: ROSA VERMELHA PARA UMA LINDA MULHER; REFLEXO, NUVENS E FÚSCIA. O seu livro, intitulado "Nuvens", conta a sua historia, começando pelas lembranças de sua terra natal que residiu até os seus 16 anos. Residente no bairro Ponta Verde, em Maceió, Tito Cavalcante é casado com a Sra. Raquel Sanches Cavalcante.

Estudou o primeiro grau na Escola Estadual Floriano Peixoto, em Atalaia, e o segundo grau no Colégio Guido, em Maceió. Sua formação acadêmica é extensa, pois é formado em Licenciatura Plena em Ciências Sociais, Administração de Empresa e Material, e Ciências Políticas, todos pelo CESMAC.

O poeta teve vários de seus trabalhos publicados em jornais de circulação no Estado. É membro titular da Academia Maceioense de Letras, membro titular da Academia Alagoana de Cultura, membro da Associação Alagoana de Imprensa e membro efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL), que é um órgão reconhecido pela UNESCO. Na AVBL publicou 128 trabalhos, entre poesias e crônicas e é o primeiro alagoano a publicar um livro virtual (E-books) com o titulo AMOR O MELHOR PRESENTE, lido no Brasil, Portugal e Espanha.

Professor de Geografia e Historia do Colégio Marista de Maceió de 1979 a 1983. Professor aposentado de História da Secretaria Estadual de Alagoas e professor aposentado de Estudos Sociais da Secretaria de Educação Municipal de Maceió. Professor de Introdução as Ciências Sociais e Ciências Políticas da Faculdade de Ciências e Letras de Maceió - CESMAC (licenciado). De 1979 a 1991 foi diretor da Escola Estadual Integral Professor Rosalvo Lobo, em Maceió. De 1982 a 1984 foi diretor geral do Centro Educacional Antonio Gomes de Barros.

Presidente da Associação dos Professores do Estado de Alagoas de 1982 a 1985. Membro do Conselho Estadual de Educação do Estado de Alagoas de 1983 a 1987.

Diretor de Administração e Finanças da Secretaria de Administração do Estado de Alagoas de 1992 a 1994. Chefe de Gabinete do Deputado Roberto Villar Torres de 1994 a 1996 e chefe de gabinete do Conselheiro Roberto Villar Torres no Tribunal de Contas de Alagoas de 1996 a 1998. Foi também diretor administrativo do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas de 1998 a 2002.

Tito Cavalcante de Alencar nos conta que: "Aos 11 anos de idade já sonhava com a poesia, gostava de cantar os grandes sucessos da época com um dos meus grandes amigos, Valmir Calheiros, saudoso jornalista da Gazeta de Alagoas. Nessa idade meu pai conhecido também como seu Lau, chama a mim e mais dois irmãos José 9 anos de idade e Paulo com 14 anos para uma conversa. Ele (meu pai) na conversa que falava sobre a vida e suas experiências diz para mim e meus dois irmãos: - vocês gostam de dinheiro? Claro, todos responderam ao mesmo tempo. Então, ele diz: Pois bem, vocês têm casa, boas camas para dormirem, alimentação satisfatória, educação, saúde, o meu amor e de sua mãe, se querem dinheiro para esbanjar por aí afora, vão trabalhar. Saímos da reunião que tivemos com o nosso pai preocupados. Perguntando um para o outro: - E agora, como vamos fazer para irmos ao cinema, às festas e aos bailes?”.

Foi então, que, Paulo o irmão mais velho teve a idéia de montarem uma fábrica de bebidas, (vinho de jurubeba, jenipapo, vinagre e cachaça) para vender na feira da cidade, e nos barracões das fazendas vizinhas.

“E assim, comecei a trabalhar, eu e meus irmãos montamos a fábrica de bebidas num galpão fechado que nosso pai tinha próximo à feira. Pedimos os barris a um cunhado nosso por nome de Humberto Vieira de Melo, filho de Eduardo Melo primo do pai de Fernando Collor de Melo. E daí, nunca mais paramos de trabalhar na vida. Tenho muito orgulho de como comecei a vida. Foram momentos felizes, lembro-me de um dia quando fomos entregar cachaça num boteco da cidade, a dona tinha um filho que era o provador. E, quando ele provou a cachaça, gritou: “Mãe, não compre essa cachaça não, é aico puro”. E assim foi a minha vida, feliz e divertida”, comenta o poeta.

“Nunca deixei de ser um sonhador, gostava de ouvir boas músicas, e de ouvir meu pai tocar clarinete. Quando tinha 13 anos de idade fiz a minha primeira poesia “DEUS”, que está no livro lançado no ano de 2002, intitulado ROSA VERMELHA PARA UMA LINDA MULHER”, destaca Tito Cavalcante.

Na revolução de 64 o escritor e poeta enfrentou alguns problemas, que o levaram a deixar de sonhar e passar a viver exclusivamente para o trabalho. “Nesse período tive muitos problemas e decepções da vida, tive um enfarto e, em seguida, uma depressão profunda, a ponto de querer tirar a minha própria vida. Só saí dessa situação, quando a uns cinco anos atrás voltei a sonhar de novo, voltando a fazer poesias e reencontrando o amor”, enfatiza Tito.

Foi casado durante 32 anos, onde teve quatro. “No entanto sofria muito porque descobri a uns 10 anos atrás que a minha ex-esposa era como uma irmã para mim. Hoje sou poeta, sou feliz", destaca o poeta.

 

DEUS


Quem é Deus?
Será a vida,
Ou será a morte?
Será a natureza,
A beleza, ou, será a sorte.

A sorte?
Não, Deus é tudo
É a pureza da alma.
A compreensão entre dois seres
Que amam.

Deus é paz, também é amor.
Mas o que é o amor,
Se vivemos num
Mundo onde existe
Tanto ódio,
Tanta incompreensão,
Tanto desamor...
Pais que matam os filhos,
Irmãos que matam irmãos.

Vemos também
Crianças que correm
E que brincam;
Poetas que cantam
A beleza da vida.
Pessoas que choram
A perda de entes queridos.

Mãos que se encontram e pedem perdão
Às flores que desabrocham
Nos campos.

Então, senhor, tudo isso
Só pode ser amor.
E amor...amor é DEUS.



ESPÍRITO ERRANTE


Eu caminhei a procura do meu espírito,
Buscando na sua nudez a perfeição,
Desencantado pelo desencontro tímido;
Não encontro, só me resta à solidão.

E na caminhada em busca do meu eu,
Encontro-me sozinho como estou agora,
Desprovido dos sofrimentos meus,
A procura do espírito de outrora.

E a saudade bate dentro do meu coração,
Perguntando por aquele espírito sonhador,
Sem resposta e ainda á procura da razão,
Só posso dizer; ele foi embora com meu amor.

Bate forte uma saudade por aquele amor
Que foi embora, sem nenhuma explicação,
Deixando no lugar do meu espírito, essa dor
Que com sofreguidão, machuca o coração.

E depois de procurar o meu espírito errante,
De repente encontro na maior loucura,
Sem nenhuma explicação; bem distante,
Aconchegado no macio colo de uma doçura.



EU

Quando senti que o mundo
Era um vasto campo de conhecimento,
Vi em meu pai um amor profundo,
E vivi com ele o entendimento.

Nasci na cidade de Atalaia,
Banhada pelo rio Paraíba
Com seus campos vastos, sem praia.
Sua padroeira Senhora da Aparecida.

Lembro da minha infância,
De meu pai e do som de seu clarinete
De meus irmãos, uns à distância,
De minha mãe e seus banhos de azeite.

Das brincadeiras inocentes,
Respeitei o próximo e a própria vida
Brinquei muito sem olhar pra frente,
Era muito bom tomar banho no Paraíba.

Das molecagens com os amigos,
Lembro do povoado do pé de caju...
E dos bailes aos domingos,
Era uma festa e o céu sempre azul.

Foi muito bom penetrar no interior,
Procurar o forró da linda caboclinha,
Dançar com ela, esquecendo o dia anterior;
Ao amanhecer, me dava uma grande morrinha.

E no romper da minha inocência,
Perdi o que tinha de mais precioso:
Meu pai. A vida ficou vazia...
E o clarinete para sempre ocioso.

E assim continuei a vida como Deus quis,
Procurei e lutei pelo meu destino,
Hoje estou aqui, poeta eu me fiz.
Ao lado da mulher que para mim é divino.

 

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