Prefeito Manoel da Costa Medeiros - O Coronel Manoel Vicente

Edição: Phablo Monteiro - Fotos: Arquivo da Familia  Homenagem

 

Nascia no ano de 1859, na ainda Villa de Atalaia, Manoel da Costa Medeiros. Infelizmente, a falta de documentos impossibilitou precisar a sua ascendência. Porém, é muito provável que seja filho ou sobrinho do segundo Intendente (prefeito) do município de Atalaia, o senhor Jacintho da Costa Medeiros. Já pelo lado materno, era neto da senhora Roza Florentina de Souza Braga, pertencendo assim também a uma tradicional família da cidade de Murici.

Manoel da Costa Medeiros, casa-se na cidade de Atalaia com a Sra. Auta Salgado de Medeiros, tendo uma grande prole de 18 filhos, dos quais podemos citar: Isa, Manuel, Cláudio, Eladio, Geruza, Alzira, Nadir, Marieta, Guiomar, Sebastião e Zeca. Soma-se a essa grande prole, mais três filhos adotivos.

Católico e devoto de Nossa Senhora das Brotas, tradicionalmente sua família era uma das noiteiras da Festa da Padroeira de Atalaia. Ele, junto com seu irmão Vicente, eram os procuradores dessa noite de festa.

Foi membro do 61º, Batalhão de Infantaria da Comarca de Alagoas, na cidade de Atalaia, ocupando o posto de tenente-quartel-mestre, chegando a ocupar por último o posto de Coronel. Nessa época, passa a ser conhecido como Coronel Manoel Vicente, por conta de um irmão, chamado Vicente, que era Escrivão Distrital, e que dividia a liderança dessa tradicional família atalaiense.

Casou duas de suas filhas, com filhos do seu amigo particular e ex-prefeito de Atalaia, Ernesto Lopes de Vasconcellos. Isa de Medeiros casou com o ex-prefeito Zeca Lopes e Geruza Medeiros casou com Pedro Lopes, proprietário do Cine Fênix.

Era dono do Engenho Santa Cruz, também conhecido como Salgado, que nasceu como muitos engenhos do século XIX, pequeno em sua extensão se comparado a outros do Estado de Alagoas, mas possuindo a prosperidade como seu maior desafio. E, o Coronel Manoel Vicente, apesar de possuir um Engenho com um dos capitais mais modestos em comparação aos outros engenhos do município, conseguiu alcançar bons índices produtivos, o que contribuiu para a conversão do capital econômico do senhor de engenho, em prestígio político.

A crise que abateu os engenhos de açúcar entre o final do século XIX e inicio do século XX, principalmente pelo surgimento das grandes usinas, como a Brasileiro, fez com que o Coronel transformasse seu engenho em uma fazenda onde era plantada cana de açúcar. Forneceu cana durante muitos anos para a usina do Barão Felix de Vandesment, a Usina Brasileiro. Inclusive, conforme relata sua neta Lúcia Medeiros, chegou a receber o próprio Barão em seu imponente e lindo casarão de 14 quartos, 4 banheiros e 3 salas grandes, localizado na Rua Marechal Deodoro. Hoje, infelizmente o casarão está em ruínas, conservando poucos detalhes de sua estrutura.

Um dos seus netos, o senhor José Humberto, ex-vice-prefeito de Atalaia, nos confirma esse relato através de historias contadas pelo seu pai. “Com o fim do engenho, passou a fornecer cana para a Usina Brasileiro. Traziam as canas até a Estação, até o ponto que era para carregar a carga, que era transportada para a Usina”.

Atualmente, o local onde era o Engenho Santa Cruz, pertence ao seu bisneto, Neno Lopes, filho do ex-prefeito Aluisio Lopes.

Foi delegado do município de Atalaia. “Com ele ladrão não tinha vez. O respeito era tanto, que os ladrões daquela época nem chegavam perto de seu Engenho Salgado”, nos conta José Humberto.

Também era comerciante, sendo proprietário de uma tradicional padaria da época, que ficava localizada próximo onde hoje é o atual consultório odontológico de sua bisneta, a Dra. Fabiana Medeiros.

Manoel da Costa Medeiros era exímio empreendedor e na época em que não existia a Ponte Ernesto Lopes, que liga o centro da cidade ao bairro Nova Olinda, era ele quem fazia a travessia de pessoas e mercadorias de uma margem à outra do Rio Paraíba, com sua jangada, remada por José Lima. Seu comércio durou até 1927, quando a ponte foi inaugurada pelo então prefeito Ernesto Lopes de Vasconcellos.

Era líder de animadas festas juninas no município, promovendo as tradicionais disputais de busca-pé, fogos de artifícios atirados no chão que correm fazendo movimentos circulares. Nos conta Vandete Pacheco em seu livro Atalaia Último Reduto dos Palmarinos, que “quando as fogueiras se acendiam às 18:00h, começava o combate. Vinha uma turma da Cidade Alta, outra do Jenipapeiro, para disputar com os da Cidade Baixa. As crianças tinham que se recolher e os negociantes fechavam as suas casas comerciais com medo de incêndio. Todos colocavam mochilas de areia nas brechas das portas para que os busca-pés não penetrassem. Cessada a guerra dos busca-pés começava o espetáculo pirotécnico”.

Foi ao lado do Dr. João Carlos de Albuquerque, testemunha na assinatura do contrato firmado entre o Poder Municipal e a Empresa Cinema Club, pertencente a Ernesto Lopes de Vasconcellos, que levou a energia elétrica para as ruas e residências da cidade de Atalaia.

Foi político de grande destaque na cidade de Atalaia, se constituído como um dos principais nomes da cidade na primeira metade do século XX.

Foi eleito Conselheiro Municipal de Atalaia para o biênio 1905 a 1906.

Após um período afastado dos pleitos eleitorais e após o insucesso eleitoral de seu sobrinho, o Manoel da Costa Medeiros Sobrinho, que conseguiu apenas a suplência no Conselho Municipal na eleição de 1920, Manoel da Costa Medeiros resolveu voltar ao cenário político, se candidatando ao cargo de Conselheiro Municipal na eleição de 07 de novembro de 1924, obtendo 227 votos e sendo eleito para o mandato de 1925 a 1928. Durante esse mandato, ocupou o cargo máximo desse Legislativo no ano de 1927.

Em sete de novembro de 1927 concorre mais uma vez ao cargo de Conselheiro Municipal, sendo o mais votado com 180 votos para o triênio de 07 de janeiro de 1928 a 07 de janeiro de 1931. Foi eleito presidente do Conselho em 1930.

Não chegou a concluir seu último mandato como Conselheiro Municipal, pois em novembro de 1930 tem-se a consumação da Revolução e Getúlio Vargas dissolve os Legislativos do Brasil e afasta os governantes dos Estados e dos Municípios, sendo esses substituídos por Interventores.

O mesmo movimento revolucionário que lhe tirou o mandato, foi quem em menos de um ano depois, designava Manoel da Costa Medeiros, através do então Governador de Alagoas, o senhor Luis de França Albuquerque, para ocupar o cargo de Prefeito de Atalaia, como Interventor, entre os anos de 1931 a 1932.

Em seu período de Governo, Atalaia possuía 65 mil habitantes, sendo 1.060 eleitores. A administração judiciária estava nas mãos do senhor juiz Dr. Domingos Correia da Rocha. Era delegado de policia o senhor Eberad Eloy de Medeiros Cabral, que também viria a ser prefeito interventor de Atalaia. A Recebedoria Estadual em Atalaia tinha como administrador o senhor Manoel Candido de Oliveira. A instrução pública tinha como professoras na cidade, para o sexo masculino, a senhora D. Leopoldina Capitolina de França e para o sexo feminino, a senhora Thereza Pérola de Medeiros. Havia também escolas mistas na cidade e nos povoados de Santo Antônio, Usina Uruba, Sapucaia e Usina Ouricuri. Havia também instruções particulares com o Colégio do professor José Lima e a Escola da professora Dona Paulina. Era Vigário nessa época o padre Aurélio Henriques. Estavam em funcionamento cinco usinas e 72 engenhos fabricando em pequenas escalas, ou apenas funcionando como fornecedores de cana de açúcar.

Faleceu em seu casarão, no dia 22 de novembro de 1945, tinha 86 anos de idade. Foi sepultado em Atalaia, no cemitério da cidade baixa.

Dois de seus filhos seguiram com brilhantismo a sua trajetória política.

Dona Isa Medeiros além de ter sido por quatro vezes primeira dama do município, foi a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Atalaia, sendo a primeira eleita para ocupar a presidência. Ao todo, teve quatro mandatos de vereadora, sendo eleita Presidente da Casa por duas oportunidades.

Manuel de Medeiros Salgado, o Seu Manú, casado com a grande baluarte da educação atalaiense, Dona Suzana Craveiro Costa de Medeiros, foi eleito por três vezes vereador do município e chegou a ser eleito também vice-prefeito de Atalaia.

É avô do ex-prefeito de Capela (1967 - 1970) e ex-governador de Alagoas (1978 - 1979), Geraldo de Medeiros Melo e também do ex-prefeito de Atalaia, Aluísio Lopes de Medeiros (1993 - 1996).

Na sessão da Câmara Municipal do dia 10 de abril de 1975, foi lido o Projeto de Lei nº 13 de 1975, de autoria do vereador Vicente de Freitas Neto e assinado por todos os vereadores da Câmara, que autorizava "o Poder Executivo mandar construir e instalar os bustos de Manoel da Costa Medeiros e Dr. João Carlos de Albuquerque e dá outras providências correlatas". Nesta mesma sessão, a vereadora Isa de Medeiros Duarte usou da palavra e agradeceu em nome de sua família, “a lembrança de colocarem o busto do seu pai em uma das praças desta cidade”.

E em 1976, como forma de homenagem à Atalaia por seu bi-centenário de Emancipação Política, ocorrido alguns anos antes, em 1964, o então Governador Divaldo Suruagy, junto com o então prefeito Zeca Lopes, prestam uma homenagem em honra ao mérito do ex-prefeito Manoel da Costa Medeiros, com um busto posto na Praça Duque de Caxias.

Foi homenageado também tendo seu nome colocando na Rua Transversal Coronel Manoel Vicente, onde nela se encontra alguns pontos comerciais, algumas poucas residências e o Cartório de Registro Civil.

 

Fonte de Pesquisa: Biblioteca Nacional, Livro Atalaia Último Reduto dos Palmarinos, Câmara Municipal de Atalaia, Familiares: Lúcia Medeiros, José Humberto, Ana Paula Medeiros, Isa Lopes, Osmar Medeiros (em memória) e Aluísio Lopes (em Memória)

 

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