A importância de Atalaia na criação da Capitânia de Alagoas

Edição: Phablo Monteiro - Fonte: Wikipédia e www.maceiobrasil.com.br  Historia&Cultura

 

A traição que deu certo

O Ouvidor Batalha sempre sonhava em transformar Alagoas em Capitania e ser o primeiro governador

A Comarca de Alagoas já esbanjava progresso, provocando ciumeira em meio às lideranças da Capitania de Pernambuco. Nas duas primeiras décadas do século XIX, já se apresentava em condições de se tornar independente. Mas os donatários não aceitavam. Afinal, era daqui que eles abocanhavam uma boa parcela da arrecadação de impostos, além da grande produção de açúcar dos nossos engenhos.

O Ouvidor Batalha sempre sonhava em transformar Alagoas em Capitania e ser o primeiro governador. Aproveitou a Revolução Pernambucana, que tinha como objetivo libertar-se de Portugal e, iniciou seu plano. Os revolucionários já haviam conquistado o apoio da Paraíba e Rio Grande do Norte. Faltavam Alagoas e Sergipe (Comarcas), além da Bahia e Ceará.

No  Brasil, o termo, OUVIDOR é conhecido desde o Período Colonial, sendo que se referia ao cargo de um juiz colocado pelo donatário.

 Um emissário foi enviado do Recife a Salvador, para tentar conquistar esse tão sonhado apoio. Passando por Alagoas, propagava os ideais revolucionários e conquistava alguns adeptos. Mas o Ouvidor Batalha não se encontrava na sede da Comarca e sim na vila de Atalaia, já em campanha em prol da emancipação política de Alagoas.

O emissário que trouxe a notícia para Alagoas e seguiu para Sergipe e Bahia, foi o Padre Roma. Aqui, encontrou um apoio de peso: o Comandante das Armas, Antonio José Vitoriano Borges da Fonseca, que atendendo ao pedido do Padre Roma, autorizou a destruição dos símbolos de Portugal e colocou em liberdade todos os presos. Passou por cima da autoridade maior da Comarca: o Ouvidor Batalha. Escreveu ao Conde D’Arcos, governador da Bahia, informando sobre as idéias da Revolução Pernambucana e seu apoio, pedindo o dele. Não conseguiu. Arrependeu-se de ter seguido os conselhos do Padre Roma. Era tarde demais.

Em Atalaia, o Ouvidor Batalha, aproveitando os tumultos, escreve ao Conde D’Arcos comunicando-lhe das medidas que resolveu tomar: desmembrou a Comarca de Alagoas da jurisdição da Capitania de Pernambuco, enquanto durasse a revolução e auto-nomeou-se governador provisório. Contou com o apoio que precisava e venceu a batalha. Dias depois, Alagoas separou-se definitivamente de Pernambuco. Mas ele não conseguiu o que tanto sonhava: ser seu primeiro governador.
O decreto assinado por D. João VI, em 16 de Setembro de 1817, emancipando Alagoas de Pernambuco, transformando a Comarca em Capitania, estabeleceu como capital a vila de Alagoas (atual Marechal Deodoro) e nomeando como primeiro governador, o português Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, que acabara de governar a Capitania do Rio Grande do Norte.

Naquela época Alagoas tinha uma população extremamente multifacetada. Alem de um numero significativo de escravos negros que eram empregados nas vilas, nas lavouras de algodão e nos engenhos. Em 1810, havia 3.147 deles distribuídos pelas povoações de Jacuípe (407 escravos), ATALAIA (1.717 escravos), Palmeira (739 escravo) e Porto Real (284 escravos), “fora os que andam dispersos na mesma comarca”.

Em relação aos indígenas, usurparam suas terras, em parte das quais ele vêem de muito tempo levantados Engenhos de fazer açúcar, ou cobertas de alheias plantações de algodão, e outras perdidas e dadas em sesmarias. Os índios não olharam com bons olhos a criação do posto CAPITÂO MOR DOS HOMENS BRANCOS para a Vila de Atalaia, e retirando-se em conseqüência descontentes, e desconfiados começaram a desamparar os serviços. A fazerem armas, e a proferirem palavras insultantes e ameaçadoras contra alguns europeus que viviam na Vila de Atalaia, há muito tempo estabelecidos.

Em carta de 18 de agosto, o marechal Pereira da Silva informou que havia solicitado alguns índios para caçar nas matas, os quilombos da Bahia: “com eles cometerei o interior, para descobrir algum quilombo, ou emboscada onde se refugiem,...”Desse modo, foram enviados à vila das Alagoas (Atual Marechal Deodoro) alguns índios de Atalaia, os quais auxiliaram na prisão ou ao longo do encarceramento, sugeriram aos índios que suas terras haviam sido tomadas em decorrência da criação do posto de capitão mor dos homens brancos da Vila de Atalaia. Como conseqüência desse fato, os índios retiraram-se da Vila das Alagoas, como se viu “descontentes e desconfiados”: não mais fizeram os serviços a que estavam obrigados e, mais ainda, puseram-se a fabricar armas. Ademais os índios da Vila de Atalaia comunicaram seu descontentamento aos índios da missão da Palmeira, que também passaram a se armar. Entre fins de julho e meados de Agosto de 1815, o ouvidor Batalha dirigiu-se várias vezes a Atalaia e Palmeira para acalmar os ânimos dos índios.

“Onde a traição?”

“Inicialmente vamos considerar que é universalmente aceito, na França ou no Butão, no Acre ou em São Paulo, nos Estados Unidos ou no Chile, a sociedade valorizar os momentos mais criativos de seus antepassados, as datas mais decisivas de sua história. Momentos em que agindo em defesa de seus objetivos puderam alcançar os homens em seu tempo os anseios da coletividade. E é perfeitamente aceitável que a emancipação política de Alagoas foi um anseio da coletividade local. Como se contrapor a um projeto de ruptura entre duas sociedades de tronco comum, mas de peculiaridades e características distintas. Um processo já desenvolvido em estado de maturação.
É o caso de se perguntar onde e como houve a traição? Embora algumas vilas estivessem solidárias com o movimento revolucionário de 6 de março de 1817, desde o início, desde o primeiro momento, cidades como Atalaia, Anadia, em Alagoas e outras se colocaram em atitude de total fidelidade à Coroa. O Ouvidor Batalha nunca escondeu sua posição, nunca tergiversou. Era um homem da ordem e contrário ao movimento. Pode-se questioná-lo como homem do sistema, mas nunca de traidor”.

O Ouvidor Dr. Antônio Ferreira Batalha (Ouvidor Batalha) também foi o responsável direto da assinatura do Príncipe D. João, do Alvará de Criação da Vila de Maceió, no dia 05 de Dezembro de 1815, desmembrando a Vila de Maceió da Vila das Alagoas (atual Marechal Deodoro).

Atalaienses Ilustres