A História de Atalaia

 

Texto retirado do Livro Almanaque do Estado de Alagoas de 1891.

Edição: Phablo Monteiro - Fonte: internet  Historia&Cultura

 

Uma das mais antigas situações deste Estado, remonta-se ao século XVII a fundação do povoado de Atalaia, que primitivamente tinha a denominação de Arraial dos Palmares, em razão da proximidade em que se acha da serra da Barriga, onde naquele século existiu o celebre Quilombo dos Palmares.

Mais tarde foi se dando a troca desse nome pelo de Atalaia, que ainda hoje conserva, por ter sido ali posto de atalaia, durante muitos anos, um destacamento de soldados por ordem do governo de Pernambuco, na guerra travada para destruição e aniquilamento completo do mesmo quilombo.

A esse posto foram então afluindo os habitantes de outros lugares, não só para venderem aos soldados gêneros alimentícios e outros produtos de sua cultura agrícola como o açúcar, a rapadura, o mel, o fumo e aguardente, mas também para estabelecerem ali sua residência, amparados e garantidos pela força pública contra as depredações dos quilombolas, que costumavam assaltar e roubar suas propriedades e lavouras.

Assim foi crescendo o povoado e desenvolvendo-se a edificação, de modo que na época do aniquilamento dos quilombolas, que eram chamados de bárbaros, Atalaia já era uma povoação crescida, havendo ali pequenas casas de negócio.

Perdeu-se na noite dos tempos a data em que nessa povoação foi criada a freguesia, bem como a data precisa em que foi elevada a vila.

Referem alguns cronistas, e designadamente Saint Adolphe no Diccionario Historico Brazileiro, que Atalaia teve essa graduação em 1727 com o titulo de Villa Real de Bragança; outros porém (e desta opinião partilha o dr. Espindola em sua Geografia Alagoana) retardam essa criação para os anos de 1762 a 1765, durante a Ouvidoria de Manoel de Gouvêa Alves (o décimo ouvidor da comarca de Alagoas).

O certo é, porém, que, só por essa última época, foi instalada a Vila e que Atalaia pela ordem de antiguidade foi a 4ª vila do território alagoano, existindo apenas antes dela as de Madalena (Alagoas), Bom Sucesso (Porto Calvo) e São Francisco (Penedo).

Por longos anos, antes e depois da proclamação da independência do Brasil foi este município um dos mais importantes e ricos empórios do comércio da antiga província.

Concorrendo para ele os produtos agrícolas do centro desta, bem como de Garanhuns e outros lugares da província de Pernambuco, houve em Atalaia muitas casas comerciais, que tiveram vantajosos lucros da compra e exportação do açúcar, do algodão e do fumo, couros e peles, assim também da venda de fazendas, miudezas, gêneros de estiva e outros que recebiam do litoral.

Após esta fase de florescência e desenvolvimento comercial e agrícola, passou Atalaia a constitui-se o foco das mais horrendas barbaridades, homicídios, espancamentos e sevícias contra os portugueses, que eram os que ali possuíam as melhores fortunas e maiores casas de negocio, praticando contra eles, a que denó ninara de puçás, corcundas e marinheiros, toda sorte de atrocidades e depredações.

Depois sobrevieram as lutas políticas e os embates dos partidos, que então se digladiavam como inimigos rancorosos, até que foi assassinado o próprio vigário da freguesia, José Vicente de Macedo, que em 1831 de tamanha influência política chegou a dispor, que fizera-se eleger deputado geral, bem como ao seu coadjutor, Padre Ignacio Joaquim da Costa, e ao seu sacristão Francisco Remigio de Albuquerque Mello, sendo ainda confiado o lugar de suplente de deputado ao filho do mesmo vigário, José Raphael de Macedo.

A este assassinato seguiram-se sucessivamente muitos outros de pessoas mais ou menos influentes na localidade, desenvolvendo-se as represálias e o incêndio da discórdia entre os seus habitantes, e chegando a tal excesso a falta de segurança individual e tranqüilidade pública que dali se foram retirando para outros pontos os habitantes pacíficos, enfraquecendo o comercio até que chegou Atalaia a cair no marasmo e decadência em que permaneceu por muitos anos e de que ainda hoje se notam os tristes vestígios.

Ultimamente, porém, renascem as esperanças dos habitantes daquele município, que já “lobrigam” de perto a reivindicação de sua perdida florescência, para que aliás sobejam elementos naturais de riqueza na uberdade do solo e amenidade do clima.

Com a passagem do ramal em construção da Alagoas Railway, que se encaminha à Vila de Viçosa, e cujos trilhos já chegam até aquele ponto, reanima-se o espírito público a edificação vai tornando notável incremento, repararam-se os antigos prédios que haviam caído em ruína e cresce a população.

Ainda em poucos dias, em 5 de Março desta ano (1891) por ocasião do percurso que o atual Governador do Estado, dr. Manoel de Araujo Góes, fez na parte já construída do dito ramal, ao chegar à Atalaia, onde festivamente foi recebido pela intendência municipal, autoridades locais e numeroso concurso de pessoas gradas do município, teve o ilustre Governador por entre as aclamações jubilosas das mesmas autoridades e do povo a solicitação verbal para que conferisse àquela localidade a categoria de cidade. Solicitação que foi atendida com a promulgação do decreto n. 88 daquela mesma data.
 
Curiosidades da época:

Limites: Ao norte extrema-se o município com o de Murici, ao sul com o do Pilar, a leste com o de Santa Luzia do Norte, a oeste com os de Anadia e Parahyba.
População: Cerca de 25.000 almas (habitantes)
Templos: Depois da Matriz sob o padroado de Nossa Senhora das Brotas, construída pela finado missionário Frei Euzébio, que lhe deu um plano de vastas proporções, mas que nunca chegou a ser concluída, exigindo hoje muitos serviço, não só para sua conclusão como para o reparo das ruínas que se notam na obra já feita, existem no município diversas capelas filiais, entre outras as seguintes: Nossa Senhora da Conceição, na Varzea; de Santo Antonio, na Branca; de Nossa Senhora da Conceição, no Roncador, uma capelinha na Boca da Mata e ainda outra na Boca da Mata de Fora.
Instruções Públicas: É distribuída nas seguintes cadeiras de ensino primário: 2 na Varzea, 1 na Varzea, 1 na Branca e 1 na Ingazeira.

Intendência Municipal
Intendente:
Francisco Guilherme Bittencourt - Foi o 1º Intendente (Prefeito) de Atalaia

Membros do Conselho:
Manoel Thomaz da Silva
Lucio Matheus de Caldas
José Nicolau de Cerqueira
Antonio Carlos de Medeiros Cabral
Guarda Nacional – Comando Superior da Comarca de Atalaia
Coronel Comandante Superior José Miguel de Vasconcelos  
Engenhos de Açúcar (Atalaia e Parahyba (Capela))
Aproximadamente 177 engenhos

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