Grupo se mobiliza para realizar a limpeza do prédio abandonado da Casa de Cultura de Atalaia

Edição: Phablo Monteiro - Fotos: Phablo Monteiro e Facebook 13/01/2017 12:30  Cidade

 

Um grupo formado por atalaienses vem se mobilizando desde o mês de dezembro de 2016, com o objetivo de reabrir a Casa de Cultura de Atalaia, que há anos se encontra em total abandono. E, na manhã desta sexta-feira (13), deram início a uma importante etapa para tornar esse sonho realidade, com a realização de um mutirão voluntário para a limpeza completa do prédio.

A Casa de Cultura foi criada 05 de novembro de 1984 e apesar de seu pouco tempo de atividade, marcou culturalmente a vida de muitos atalaienses. Nela, foram inúmeras as atividades culturais desenvolvidas, a exemplo dos shows musicais e das peças teatrais. Inúmeros talentos de nossa terra surgiram através dessas oportunidades, pois o espaço era sempre acessível.

Esse espaço cultural era o responsável por desenvolver concursos literários, alguns em parceria com a Secretaria de Cultura de Alagoas, como o realizado em 1995, em comemoração aos 300 anos da morte do lendário Zumbi dos Palmares, onde os melhores textos foram premiados como forma de incentivar a prática e o desenvolvimento da leitura. A Casa de Cultura promovia também inúmeros encontros onde eram debatidos vários temas.

O prédio foi duramente danificado, principalmente pela grande enchente de 1989. Desde esse fato, mesmo apesar de todas as lutas encabeçadas pela escritora e historiadora Vandete Pacheco, a Casa de Cultura de Atalaia não obteve sua restauração e pior, anos depois foi abandonada pelo Poder Público, possibilitando a invasão de seu prédio por moradores sem tetos. E, apesar da retirada desses moradores para residências no Povoado Jenipapeiro, o local continuou em profundo esquecimento por parte das autoridades.

Há alguns anos surgiu através de iniciativa privada, um projeto de utilização do prédio para servir de acolhimento de pessoas idosas. O projeto não vingou, porém essa ação foi imprescindível para a preservação da estrutura do prédio. Porém, recentemente, surgiu a possibilidade da derrubada da estrutura para a construção de um ginásio e segundo nos conta o professor Cícero Albuquerque, um dos participantes desse movimento em prol da reabertura, foi por conta dessa possibilidade que se teve a urgência de se criar um movimento para evitar mais essa perda patrimonial de Atalaia.

“Nós somos a favor do ginásio de esportes, mas defendemos a Casa de Cultura e entendemos que dar para compatibilizar, pois há um terreno imenso ao lado da Casa de Cultura. Que se faça esse ginásio nesse terreno e que preserve a Casa de Cultura. A ameaça de destruição, foi o que nos despertou, pois a Casa na verdade está destruída há vários anos e as autoridades não tomaram as providências. O movimento inicialmente tem esse objetivo de evitar que a Casa seja destruída e garantir que ela retorne. Nos anos em que a Casa de Cultura funcionou, era um patrimônio extraordinário onde as crianças e os adolescentes vinham aqui pesquisar, ter aulas de violão, dança, espetáculos de músicas, teatros e folguedos. O coração cultural atalaiense era aqui, onde recebia artistas locais e de todo o Estado. Nossa luta é garantir a Casa de Cultura, recuperá-la e garantir que ela exista com esse fim de promover a cultura atalaiense”, comentou o professor da Universidade Federal de Alagoas, Dr. Cícero Albuquerque.

Os integrantes desse movimento em prol da recuperação da Casa de Cultura, formam um grupo bastante heterogêneo, composto por pessoas de diferentes formações, valores, experiências, sexo e idades. Professor Cícero destaca que não se trata de um grupo fechado e está aberto a participação de toda população que deseje tornar possível esse grande objetivo. “Não temos aqui questões políticas e partidárias, temos pessoas de todos os tipos e de todas as preferências políticas locais. A idéia é que a Casa de Cultura não é de um grupo, não é de um partido, de um governo, mas sim do povo de Atalaia. A preocupação é permanente de que todos possam entender que a Casa de Cultura é de todos e que todos possam participar. A minha presença como a de qualquer outro é igual aqui e estamos com a mão na massa para evitar uma destruição maior do que já há. O povo de Atalaia tem dado uma resposta muito bonita de interesse e de ficar feliz em saber que isso aqui pode um dia retornar. Várias pessoas tem declarado que a Casa de Cultura foi importante e as novas gerações vão entender essa importância quando tivermos as atividades aqui”, comentou.

“A idéia que temos é que o prédio pertence ao Estado, mas na verdade a Casa de Cultura é do povo de Atalaia, pois o Estado abandonou isso aqui. Se há vinte anos atrás tivéssemos tido a iniciativa que estamos tendo hoje, não estaríamos passando pelo que estamos passando. Chegamos aqui e constatamos que não há rede elétrica, hidráulica e nada. A nossa idéia é dialogar com o Governo do Estado e com o Governo Municipal, pois entendemos que isso aqui é responsabilidade do poder público. Nós estamos fazendo o que o poder público não fez nesses 20 anos, mas nós sabemos também que não temos a capacidade de fazer o que o Poder Público pode fazer. Pretendemos chamar os poderes à responsabilidade, pois estamos dando o primeiro passo e só iremos assumir isso aqui como nosso, se o poder público não chegar junto”, destacou o professor Cícero Albuquerque.

Questionado sobre as diferenças desse atual movimento de reabertura, para o que existiu há menos de uma década atrás, o Dr. Cícero Albuquerque destacou que o grande diferencial está no forte apoio popular. “Aquele movimento foi importante, mas não tinha uma coisa que esse tem, que é o apoio popular. Naquele movimento criamos uma comissão onde eu participava junto com o Dr. Ronaldo Bernardo, com o Padre Arnaldo, com o vereador Fernando Vigário, mas não tinha o movimento da sociedade. Temos aqui hoje um monte de gente ajudando na limpeza. A nossa idéia é trazer cada vez mais a população para entender que não podemos esperar tudo do poder público, especialmente quando ele não cumpre com o seu papel. Agora temos apoio popular, apoio da sociedade. Até onde isso vai é o tempo que vai nos dizer”, enfatizou.

Após a primeira etapa de limpeza do prédio, o grupo irá realizar no dia 31 de janeiro, um evento neste local, que contará com artistas locais e de outros municípios, para chamar a comunidade para ver de perto os resultados já obtidos. Também terá estandes de artesanatos de artistas locais e do Estado. “Vamos fazer um grande movimento para mostras as pessoas que a Casa de Cultura está ressurgindo e que todo mundo pode apoiar”, comentou Cícero Albuquerque.

 

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